SÃO PAULO FUTEBOL CLUBE

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quarta-feira, 29 de abril de 2009

O combinado que não combinava

A visão banguense da famosa excursão mista à Europa em 1951.

Publicado na Revista Bangu.Net, nº 4.


O combinado que não combinava

O Combinado Bangu-São Paulo encantava o público europeu dentro de campo. Nos bastidores, Leônidas da Silva e Zizinho travavam uma luta, que acabou com o espetáculo

O presidente do São Paulo, Cícero Pompeu de Toledo, tinha procurado a diretoria do Bangu naquele início de 1951. Queria o craque Zizinho, emprestado, para uma longa temporada pela Europa. A proposta foi rechaçada pelo patrono Guilherme da Silveira Filho, que teve uma outra idéia.

"Que tal se Bangu e São Paulo unissem forças em um Combinado"? O time paulista era ótimo na defesa, os cariocas tinham, talvez, o melhor ataque do Brasil. Além disso, duas equipes juntas significaria uma divisão das despesas e obviamente, dos lucros.

A proposta do Dr. Silveirinha acabou prevalecendo e no final de março, o São Paulo partiu para a Europa, levando quatro banguenses a bordo: Djalma, Moacir Bueno, Mendonça e Barbatana. Com esses reforços, os paulistas empataram com a Genoa, da Itália, em 1 x 1 (gol do banguense Djalma), perderam para o Anderlecht, da Bélgica, por 2 x 1 (gol do também banguense Moacir Bueno) e, enfim, ganharam do Selecionado de Liège por 3 x 0. Resultados que não representavam nada de especial em termos de excursões internacionais.

No dia 3 de abril, no Galeão, era a vez da turma banguense ir para a Europa. A delegação estava composta pelo presidente José Ramos Penedo, pelo supervisor Carlos Nascimento, pelo médico Hilton Gosling, pelo técnico Ondino Viera e pelo jornalista Fausto de Almeida.

Estavam previstos 25 jogos em 11 países diferentes, com uma cláusula contratual que abreviaria toda a programação: Zizinho teria que jogar em todas as cidades, todas as partidas.

Cada jogador do Bangu recebeu um guarda roupa específico para viagem: um terno, oito camisas brancas, quatro gravatas, dois pijamas de flanela... Além do vestuário, ganharam também um livrinho com informações sobre cada país, moeda, capital, forma de governo, aeroporto, idiota e, dentro da brochura, as recomendações disciplinares, que Cícero Pompeu de Toledo fez questão de escrever.

Um dos itens dizia assim: "Da boa ou má conduta durante as partidas em que competir depende o bom ou mau conceito que o público terá do povo da sua Pátria". A sequência de bobagens [sic, putz] apresentava a pérola: "Competir é bom, mas competir disciplinadamente é muito mais honroso".

Momentos antes da viagem, Joel Rezende estava todo arrumadinho, de terno, pronto. Quando menos esperava, chegou um telefonema anunciando que ele não iria. Em seu lugar viajaria Nívio, recém-contratado junto ao Atlético Mineiro, que assinou a papelada no próprio aeroporto. Era o mais novo reforço do Bangu.

Embarcaram no vôo da SAS (Scandinavian Airlines System) o goleiro Oswaldo Topete, o zagueiro Rafanelli, os meias Mirim e Pinguela e os atacantes Menezes, Zizinho, Nívio, Teixeirinha, Décio Esteves e Vermelho.

O Combinado, propriamente dito, se formou no dia 7 de abril, em Saarbrücken, na Alemanha, contra uma seleção local. O técnico do São Paulo, Leônidas da Silva, escalou como titulares seis paulistas e cinco cariocas. Em cada tempo, os atletas vestiam uma camisa, ora do São Paulo, ora do Bangu. O jogo foi disputado sob chuva forte e o campo virou uma lama.

"Os campos por aqui, carecas como bola de bilhar, transformam-se em arquipélagos com as chuvas que, além do frio, tem atormentado os nossos players. Acontece que os europeus já estão acostumados a jogar na lama e levam mais essa vantagem contra os nossos. Todavia, embora treinando em ônibus [!] e aviões, os brasileiros vão levando a melhor e apresentando um saldo de vitórias favorável" - escreveu Fausto de Almeida ao A Noite, após a vitória de 3 x 0.

No dia 10 de abril, a delegação já está em Amsterdam, enfrentando o seu maior desafio até então: a Seleção da Holanda [na verdade, a seleção B, n/t]. Foi um jogo complicado. No 1º tempo, Snock fez 1 x 0 para a Holanda. Na etapa final, Nívio e Zizinho viraram o jogo para o Combinado. Faltando três minutos, Durval definia em 3 x 1 o placar.

Menos de 24 horas depois, o Combinado - com outros 11 jogadores - já estava em campo de novo, em Essen, na Alemanha, Sem Zizinho, o time foi goleado pelo Rot-Weiss por 5 x 1, sob o comando técnico do uruguaio Ondino Vieira.

Dois dias depois, mais um jogo na Alemanha, contra o Nürnberg. Partida difícil e outra vitória do Combinado, agora por 1 x 0, gol de Durval. Na sequência, no dia 15 de abril, em Munique, os brasileiros bateram o München 1860 por 4 x 3. A vitória, no entando, significou um rompimento entre o craque Zizinho e o técnico Leônidas. O próprio Zizinho explicou o que aconteceu:

"Saí para a entrada do Ponce de León. Ele estava sentado no banco, não sabia nem que ia entrar, e com aquela friagem acabou entrando mal, errou três lances seguidos. Leônidas, então, tirou o Ponce de León, que mal pegou na bola, e o Ponce discutiu com ele. Iam mandar o Ponce de volta para o Brasil por causa da discussão. Falei com o Carlos Nascimento sobre a reunião que ia haver para decidir a volta do jogador. Pedi para participar da reunião. Para evitar que ele fosse mandado de volta. Podia até multar, mas mandar de volta não".

Na reunião, Zizinho saiu em defesa do companheiro, brigando diretamente com Leônidas. Ponce de León acabou ficando com o grupo, mas a antipatia escondida que Leônidas tinha por Zizinho começou a ficar mais clara depois do episódio. Para alguns, era um ciúme. O "Homem de Borracha", fora dos gramados, como técnico, estava perdendo sua fama, seu cartaz, para o grande craque do país, o "Mestre Ziza".

Em campo, as discussões não transpareciam. O Bangu [sic, o Combinado] venceu o Austria Wien por 2 x 1, com um gol de Zizinho no último minuto. Depois a delegação foi para Paris, onde ficou hospedada sete dias, com apenas um jogo agendado, no Parc des Princes, em 19 de abril, contra o Racing [Paris].

A vitória de 3 x 2 foi praticamente do Bangu [uhum], já que os artilheiros da noite foram Moacir Bueno, com dois gols, e Zizinho. Os jornais do Brasil abriam manchetes para o desempenho do Combinado: "Brilham na Europa os cracks brasileiros" - dizia o Diário Carioca, sem suspeitar que o clima entre Leônidas e Zizinho só ia piorando.

O jogo seguinte só ocorreria na Itália, em 25 de abril. Tempo suficiente para os jogadores conhecerem a "Cidade Luz" e para Zizinho aprontar um pouco:

"Desde 1938 meu sonho era ir a Paris. E eu vou chegar em Paris e vou ficar concentrado? Passei uma semana, noite e dia rodando pela cidade. Ficamos vários dias em Paris sem jogar. Eu era apaixonado por aquele país, aquela bandalha que era a França. E eu peguei um resfriado tremendo lá. Queimando em febre, fui para Roma jogar uma partida contra a Lazio" - recordou Zizinho em um depoimento a Nildo de Melo júnior, filho do jogador Teixeirinha, que também participou da excursão.

Com 40 graus de febre, Zizinho nem ficou no banco contra a Lazio. O jogo foi uma guerra, empate em 0 x 0, com a violência imperando em várias entradas maldosas, e a cumplicidade de um árbitro italiano.

"Não sabemos por que os italianos encararam o jogo de ontem como uma luta de vida ou morte. Houve por parte da imprensa especializada uma preparação de vitória a qualquer preço e ainda por cima foi escolhido um juiz fraquíssimo e sem personalidade".

No revezamento dos técnicos, para a próxima partida em Copenhague, na Dinamarca, era a vez de Ondino Viera treinar o grupo. Zizinho, reabilitado, jogou e marcou um dos gols da vitória do Combinado por 3 x 1 sobre o Kobenhavn.

Da Dinamarca o grupo foi para Portugal, encarar o Sporting, no domingo, 29 de abril de 1951. Foi em Lisboa que a excursão acabou.

Zizinho estava no hotel, arrumando seu material de jogo, quando Décio Esteves entrou no quarto e perguntou-lhe:

-"Vai fazer o que"?
-"Eu vou pegar minha roupa para jogar".
-"Você não está escalado não".
-"Você está brincando. Aqui não tem mais desculpa. Na Itália sim, mas aqui não tem mais desculpa para eu não jogar".
-"Ele não pode dizer isso. Ele foi o primeiro a botar a mão em mim".

Para piorar o clima, a diretoria alvirrubra queria que o Combinado jogasse a primeira etapa com a camisa do Bangu, estampando o losango da fábrica no peito, já que havia muitos acionistas da Companhia em Lisboa. O São Paulo, no entando, não cedeu. E a foto antes da partida foi tirada com o uniforme tricolor. Só no 2º tempo é que os jogadores mudaram de camisa, e foi batida uma outra foto do time posado.

Em campo, mesmo sem Zizinho, o Combinado treinado por Leônidas fez sucesso: goleada sobre o Sporting por 4 x 1, perante mais de 80 mil torcedores. A vitória, praticamente, saiu dos pés banguenses, com dois gols de Teixeirinha (o catarinense que jogava no Rio e não o antigo craque são-paulino de mesmo nome que, sequer viajou para a Europa) e um de Nívio.

O diário luso Notícias Esportivas se encantou com o futebol apresentado pelo Combinado: "Até o final, os brasileiros abrandaram um tanto e passaram, de vez em quando, a entreterem-se com a bola em prodígios de malabarismo no chamado baile tão do seu agrado. Bauer, Mauro, Teixeirinha e Nívio foram as grandes estrelas da equipa".

No dia seguinte, no hotel, Carlos Nascimento conversou com o presidente são-paulino Cícero Pompeu de Toledo e, obedecendo ordens do Patrono Silveirinha, expôs as razões para o fim do Combinado [no fim das contas, quais?, n/t]. Os craques banguenses tinha de voltar ao Rio. O São Paulo continuou em Portugal e fez mais um jogo, vencendo o Belenenses por 4 x 2.

O saldo do Combinado apontava 13 jogos, com 9 vitórias, dois empates e duas derrotas, com 29 gols pró e 17 gols sofridos. Durval e Nívio, cada um com sete gols, foram os artilheiros da equipe.

No dia 2 de maio, os banguenses desembarcavam no Galeão, cheios de história para contar. E obviamente, a imprensa estaria lá para fazer a cobertura e chegar a uma conclusão surpreendente: nem Zizinho, nem Leônidas, nem Nívio, nem Durval. O grande sucesso do Combinado foi mesmo o jovem atacante Vermelho. De fato, ele mal tocou na bola, era reserva, entrou somente em algumas partidas, mas foi o artilheiro fora de campo.

Aos 18 anos, Hélio Fraga de Oliveira, que ganhou o apelido de Vermelho justamente por ser muito escuro, fez muito cartaz entre as loiras européias...



***
As fichas destes jogos você encontra aqui, em: Jogos como Combinado.

Agradecimentos a Marcelo Hideki.

2 comentários:

  1. RODRIGO SANTANA

    Chegamos a formar combinado com BANGU nossa......... hoje esse time carioca virou bactéria, chegou a ganhar 2 estuduais e foi vice brasileiro , virou peça de museu...............

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  2. Acabou o subsidio do jogo do bicho né.

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